Absenteísmo na construção civil: o que está afastando trabalhadores das obras e como reduzir o problema

20 de julho de 2026 - Seconci-PR

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 O absenteísmo — termo utilizado para definir ausências frequentes ou prolongadas dos trabalhadores — é hoje um dos principais desafios enfrentados por empresas de diversos setores. Na construção civil, seus impactos são ainda mais perceptíveis, afetando cronogramas, produtividade, custos operacionais e a organização das equipes.

 Mais do que contabilizar faltas e afastamentos, entender as causas do absenteísmo permite identificar problemas que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia da gestão.

O absenteísmo está crescendo no Brasil

Os números mais recentes acendem um alerta para empresas de todos os segmentos.

 Em 2025, o Brasil registrou mais de 4 milhões de afastamentos do trabalho por incapacidade temporária, o maior volume dos últimos anos. Entre eles, mais de 546 mil afastamentos ocorreram por transtornos mentais, estabelecendo um novo recorde histórico. 

 Além da saúde mental, doenças osteomusculares, problemas de coluna, acidentes de trabalho e condições crônicas continuam entre as principais causas de afastamento dos trabalhadores brasileiros.

 Esses dados mostram que o absenteísmo não costuma surgir de forma isolada. Na maioria das vezes, ele é consequência de fatores que se acumulam ao longo do tempo.

Três causas silenciosas do absenteísmo

1. Falta de acompanhamento da saúde

Problemas de saúde simples podem se tornar afastamentos prolongados quando não recebem atenção adequada.

 Consultas periódicas, acompanhamento médico e acesso facilitado à orientação profissional permitem identificar situações antes que elas evoluam para quadros mais graves.

 A lógica é simples: quanto mais cedo um problema é identificado, maiores são as chances de tratamento e menor o impacto para o trabalhador e para a empresa.

2. Condições inadequadas de trabalho

Ambientes inseguros ou mal organizados tendem a aumentar acidentes, lesões e afastamentos.

 Segundo dados atualizados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, o Brasil registrou aproximadamente 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes relacionadas ao trabalho entre 2012 e 2024. 

 Na construção civil, fatores como quedas, esforços repetitivos, posturas inadequadas, exposição a agentes físicos e falhas nos processos de segurança podem impactar diretamente a presença dos trabalhadores nas obras.

3. Baixo investimento em prevenção

 Quando a prevenção deixa de fazer parte da rotina da empresa, os problemas costumam aparecer posteriormente em forma de afastamentos, aumento de atestados e queda de produtividade.

 A prevenção não se resume ao cumprimento de exigências legais. Ela envolve ações contínuas de saúde, segurança, orientação e acompanhamento dos trabalhadores.

 É justamente nesse ponto que muitas empresas percebem que investir em prevenção custa menos — financeiramente e operacionalmente — do que lidar com os impactos do absenteísmo já instalado.

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A saúde mental ganhou espaço entre as principais causas de afastamento

Nos últimos anos, a saúde mental passou a ocupar posição central nas discussões sobre absenteísmo.

 Os afastamentos por ansiedade, depressão e outros transtornos mentais cresceram de forma consistente no país. Em 2024, foram mais de 472 mil benefícios concedidos por problemas relacionados à saúde mental, número que continuou aumentando em 2025. 

 Esse cenário está diretamente relacionado às mudanças promovidas na NR-01, que passaram a incluir os riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

 Na prática, temas como organização do trabalho, sobrecarga, comunicação, relacionamento entre equipes e fatores que afetam o bem-estar dos trabalhadores passaram a exigir atenção cada vez maior das empresas.

Como reduzir o absenteísmo nas obras

 Não existe uma solução única para o absenteísmo. Os melhores resultados costumam surgir quando diferentes ações trabalham em conjunto:

  • acompanhamento periódico da saúde dos trabalhadores;
  • programas de prevenção;
  • treinamentos e orientações frequentes;
  • melhoria das condições de trabalho;
  • fortalecimento da cultura de segurança;
  • atenção aos riscos psicossociais;
  • apoio às lideranças na gestão das equipes.

Empresas que conseguem atuar antes do problema aparecer tendem a reduzir afastamentos e melhorar indicadores de produtividade, segurança e retenção de profissionais.

O papel do SeconciPR

Grande parte das causas do absenteísmo pode ser trabalhada antes que resulte em afastamentos.

 Por meio de atendimentos em saúde, campanhas temáticas, eventos gratuitos para a capacitação do trabalhadorpalestras, exames ocupacionais, serviços especializados e apoio técnico às empresas associadas, o SeconciPR atua em áreas diretamente ligadas aos fatores que mais geram ausências no trabalho.

 Acompanhamento médico, saúde mental, odontologia, segurança do trabalho e ações preventivas fazem parte de uma estrutura construída para apoiar empresas e trabalhadores ao longo de toda a jornada profissional.

 Quando prevenção, acompanhamento e informação passam a fazer parte da rotina, os benefícios aparecem não apenas nos indicadores da empresa, mas também na qualidade de vida de quem está diariamente nos canteiros.

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